quarta-feira, 21 de julho de 2010

minúncias reais...

É assim mesmo, você me faz flutuar em banho maria, você me cozinha, gradativamente, de modo tranquilo, como se não esperasse por nada mais... E dá tragos desnecessários em seu cigarro, enquanto mistura todos os sabores de agressividade e doçura. Quem foi que falou em brutalidade, se a necessidade anda ali? Eu poderia dizer minúncias sobre isso, e ainda assim estaria apenas divagando pensamentos aleatórios.

(Mariana Montilha)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

cigarros.

Sentir o toque dos dedos, por entre o vazio do espelho que reflete nossa imagem distorcida... Respirações ofegantes, gemidos baixinhos, o cheiro invasivo da nicotina em cada centímetro tocado por aquelas mãos hábeis.

Os cabelos, seus movimentos, o respirar descompassado, cada ato involuntário, o desnorteamento, trazendo o frio daquele medo e, ao mesmo tempo, o calor de cada gesto. É sempre assim. É tão intenso. Destrói... por completo, corrói.

Mal se pode ver por onde vai, mal se pode ver o que será, mal se pode caminhar, em passos firmes, por entre essa claridade excessiva do caminho menos seguro. E as cinzas caem por entre meus dedos, enquanto a fumaça sobe, em círculos, na dança eterna e inebriante daquelas nossas aventuras dolorosas, fugazes, quando achávamos que a necessidade era apenas... Necessidade.

E você se vai novamente, igual já foi, e como nunca antes.

(Mariana Montilha)

terça-feira, 8 de junho de 2010

dia de...

Hoje é o primeiro dia para o fim do mundo, aquele vazio não foi preenchido, e a pergunta é se algum dia será. Aprender a sobreviver, embora não sem dor. Seguir um caminho, tentando não tropeçar em suas pedras. Não ir-se de lugar algum, perder-se a si mesmo. A luz se apagou, então, na escuridão daquela tempestade que levou, sem piedade, nossas almas. E nós vimos a noite cair, o céu estrelado, as gotas de chuva na janela. E a noite não demorou a se tornar gélida, torturando-nos... todas as dores tomaram posse de um só ser. É fácil falar em dor quando não se sente mais nada, quando seu mundo não é mais mundo. E sobreviver com um vazio que preenche cada poro do seu corpo, cada trecho de si mesmo.







O que você sentiu ao me tirar de sua vida?

terça-feira, 25 de maio de 2010

conversas.

- Para onde estamos indo?
- Qualquer lugar... longe do mundo.
- Longe disso tudo? Você falou por amor?
- Nunca!
- E já parou um instante para sentir? Tentou respirar esta incrível sensação?
- Respirar? Eu morri tentando! Sabe quanto tempo meu coração demorou para parar por completo? Meses. E ainda espera que eu corra assim, como se tivesse algo a perder?
- Por que não? Sempre temos algo a perder, por mais vazios que possamos estar.
- Eu sempre dei os passos certos, mas meus caminhos sempre foram incertos.


(Mariana Montilha)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

o dia de hoje.

Hoje o dia clareou cinza, com pedaços de neve no chão e gotículas de sangue nas janelas empoeiradas.
Hoje o mar parou para contemplar o céu carregado de dor, suas ondas, envergonhadas, calaram-se, uma a uma.
Hoje as flores do campo sentiram-se só, e ninguém evitou pisotea-las.
Hoje o vento soprou de uma maneira diferente, causando um som alto, agudo; Um choro doloroso.
Hoje olhos se encontraram para se perder, toques se passaram, sentimentos se fortaleceram, mas caminhos foram desviados; E ninguém mais se encontrou, em nenhuma trilha guiada, em nenhum chalé perdido.
Hoje passos foram ouvidos, sombras foram vistas dançando, e nenhuma delas parecia feliz.
Hoje minha voz calou meu silêncio, com lágrimas de desesperança.

(Mariana Montilha)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

[entrando em desespero]

Frio. Medo. Solidão. Alguém me salve, por favor? Minhas pernas não me sustentam mais, nem sei para qual lado ir. Segure minha mão, por favor, não me abandone agora. Não vire suas costas, não dê de ombros. A dor é mais do que eu posso suportar. Os momentos de desespero, o vazio... é mais do que eu poderia supor. E eu sei que vou me desesperar novamente, assim que a luz se apagar, assim que o sol se pôr no horizonte.
Eu conheço meus passos, eu sei minhas dores. Elas estão tão infiltradas em cada poro meu, que eu mal posso enxergá-las. Mas eu as conheço, como as linhas, nas palmas de minhas mãos calejadas.

(Mariana Montilha)

terça-feira, 11 de maio de 2010

razão por respirar.

Foram dias lindos, momentos, sorrisos, olhares. Intensidade. Foram histórias, recordações, delicadezas. Tristeza compartilhada, dores, felicidades. Realidade. O passado rendeu, e ainda rende, memórias insubstituíveis, saudade absurda. A necessidade de ouvir aquela voz já superou qualquer outra. E a compulsão pelo choro tornou-se sempre presente. Eu era ainda uma criança a crescer. E ninguém passou por nós, ninguém capacitou-se em nos tocar.


Eu, sua criação imaginativa. Você, todo meu ser.

E quanta falta faz essa ausência de você em mim. Dores que já não são nem minhas. Nem as lágrimas, que escorrem aos gritos, serão ouvidas então. Eu conheço todas as suas dores, eu estive presa no mesmo lugar, sussurrando as mesmas palavras desconexas, chorando as mesmas lágrimas de solidão desesperada, naquela mesma distância percorrida em vão. Lágrimas pelo que foi deixado pelo caminho, pela dor do abandono.


E viver, sem sonhar. Pois o único sonho foi caminhar; E meu único motivo, imaginar.

Todo mal começou aqui, de um início sorridente, encantador. O Passado da não-mentira; o futuro ilusório da não-verdade. E superar-se em sua dor mais profunda, dando caminho ao desespero, envolvido em seus piores medos. Machucando-se cada vez mais.

Ao entrar em minha vida, sua alma estancou-se aqui. E agora, você se foi, levando junto de si parte quase total de mim.
Então, o vazio.

(Mariana Montilha)