sexta-feira, 1 de abril de 2011

luzes como sonhos...

Toda lágrima que se foi como início de uma gargalhada, cada riso descontente, e um chamar desatento do vento por sobre sua cabeça desacordada. Cada fala desconcertante, cada gesto sem sentido, cada inspirar de oxigênio que corre contra o vento e sopra seus cabelos, entre gestos de vida e morte... Mas você se decidiu por sua necessidade irritante de vida, tanta vida que nem se pode viver exatamente. Luzes que piscam em seus olhos e te cegam para o mundo. Sonhar nunca foi o suficiente, sonhos são facilmente despedaçados, eles cansam, eles exaustam, sugam toda a felicidade, para, então, cuspir apenas restos mortais de algo que já foi importante para a vida...

(Mariana Montilha)

domingo, 20 de março de 2011

Hoje eu sei que só você pode tornar a vida suportável.

sexta-feira, 4 de março de 2011

poeira e fumaça.

A mesma estrada sem fim segue diante minha vida. Conforme ela corre e percorre minha existência sem nome, ela some, para fora de minha vista.

Tragos lentos no cigarro aceso me elevam para o infinito dos sonhos, vejo o filtro queimar, se dissolvendo em poeira, enquanto a fumaça que escapa através das cinzas desenham caminhos desalinhados no céu... Seus caminhos são guiados à passadas constantes e ininterruptas, estradas estreitas traçadas com cautela e precaução; Mas ninguém caminha por essas ruas, agora desertas.

(Mariana Montilha)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

hoje, amanhã, sempre.

Alguns de meus retalhos costurados, um a um, em linhas finas e paralelas, tecem seu caminho. Como vidas que se vão, seguindo seus destinos, sem se voltarem para olhar a estrada contorcida às suas costas, bordada em um tecido velho, amarelado pelo tempo.
Sentindo a tempestade que se aproxima, algumas lágrimas de felicidade caem do céu e rolam feito chuva pelo rosto da verdade e da mentira, derramadas de nuvens mescladas entre branco e cinza.
Velhas e enferrujadas, as agulhas tremem em contato com o tecido morto. Dilacerando, abrindo espaço a contragosto, elas invadem, sem esperar por uma permissão.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

noite estrelada.

Por tanto tempo, caminhei em sua direção, sem qualquer outro caminho em minhas mãos. Minha cegueira, cegou a todos nós, mas os olhos permaneceram abertos por todo o tempo, tentando enxergar qualquer vestígio de vida, qualquer coisa. A escuridão deu espaço ao medo, que tomou conta de mim, que dominou meus atos e me paralisou na tempestade de um deserto de aflições e angústias. Nenhuma voz foi ouvida novamente por mim, e ninguém pôde ouvir meus gritos de desespero, súplicas perdidas ao vento quente, que a areia cobriu com o tempo.

Mariana Montilha.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

momentâneo.

Firmados os dois pés em areia movediça e um sorriso estampado no rosto.

domingo, 28 de novembro de 2010

Como poderia?

Você poderia fechar seus olhos em meio a um silêncio imaginário e pisar na água salgada do mar? Quantas vezes foi capaz de olhar além do reflexo nítido do espelho e enxergar mais do que simples rostos? Contar cada poro do corpo de outros?

E seus sorrisos. Contou cada um deles? Enquanto olhos chamuscados de neblina fria enchiam-se de sentimentos. Brilhantes.

Quem é que pode conter as respostas cortantes que saem à meio fio? E cada um dos atos que as fazem quebrar. Quem já foi capaz de olhar ao lado e encarar os olhos que te vigiam noite e dia?

Já pôde se sentir caminhar sozinho? Em uma estrada sem fim visível, passo após passo, por entre a escuridão, entrecortada de feixes de luz, vindos de luminárias estendidas pelo ar.

(Mariana Montilha)