sábado, 12 de dezembro de 2009

Dois em um...

Verdade moderna, mentira completa.

Você mentiu mais uma vez.
Nessa noites estrelada, sua mentira,
Com modos de verdade,
Ecoou para um vazio comedido.

Um vento que passava fez
a mentira ir para além.
Quando a pessoa ouviu...
Que coração partiu?

Quem se foi novamente?
Era tanto pesar.
Mas o distante se aproximava,
O que era falso, real ficava.

Seus passos ecoavam em sintonia,
As palavras em tom ameno
denunciavam a nostalgia.

Qual foi sua verdade em vão?
Onde esteve seu coração?
Indigno de memórias erradicadas.
Quem se importa, então?

...


Frio da existência


Neste quarto fechado, rodeado de paredes tingidas de sangue; Alguém esfrega as mãos no rosto... cansado. Seus olhos molhados pelo tempo percorrem a extensão do lugar. Ele pisca algumas vezes, parece não acreditar... a criança dentro de si ainda implora por brincar. As paredes de portas fechadas se contorcem. As maçanetas estão destruídas. Por um tempo fora de si mesmo, onde o vento possui cores. Onde já não se pode viver. A mancha na parede do tempo, exposta como uma doença contagiosa, sufoca seus sentidos. E a voz que sai por detrás dela, te faz chorar lágrimas de revolta, pela saudade sentida, pela morte não compreendida. Por toda confusão desmedida.

(Mariana Montilha)

sábado, 21 de novembro de 2009

Sintonia de tempo

Tempo. Engraçado como ele engana, não é? Você sai para a rua do esquecimento, você pisa em sua calçada encharcada de água de um tempo passado, onde o vento insiste em fazer fios de cabelo voarem em seu rosto. Você olha para os dois lados, assegurando-se de que nada vai te atingir. Mas o tempo... Ah, esse eterno brincalhão! Ele não pára. Nem por você, nem por ninguém. Ele te envolve... Você se entrega, deixa-se levar.
Ninguém pode te culpar, afinal de contas. Se o único culpado é o tempo, traiçoeiro tempo.
Você se esquiva, corre... com medo.
As feridas abertas com o tempo, também são fechadas por ele. Mas não há como fugir de tais ecos. Quando o vento chega à você e nenhuma das pessoas a sua volta são reais... As sombras se dissolvem em granulados de ar inexistentes.
A luz ou a escuridão que doma a vida. O sol ou a chuva. Os carros que passam, descontrolados, por todos os lados. Não há como prever. Você não sabe para onde vai, sequer sabe onde está.

(Mariana Montilha)

domingo, 15 de novembro de 2009

No words.

Você deu um passo à frente. Era um precipício, você caiu sem nem notar. A queda durou uma vida de felicidades tocantes. Você se tornou aquilo que fugiu de ser. Você é, na realidade, aquilo que não se tornou. Com o tempo suas folhas caíram, seu muro de pedras foi derrubado. Toda a fortaleza está acabada.
Quando você deixar de se encarar, seja somente você mesmo. O medo do escuro te domina, você grita e chacoalha, mas não há saída. Você corre e bate defronte ao espelho rachado. Sua face está manchada, suas lágrimas escorrem.

(Mariana Montilha)

domingo, 1 de novembro de 2009

A existência de uma pérola!

Sorria menina
O mundo ainda gira ao seu redor
As coisas ainda acontecem
E Tudo Conspira por Você
Feche os olhos e me encontre debaixo de um Ypê.

Nós nascemos para sermos
Venha até mim como um corvo misterioso
me conforte, me abrace, me tenha como um todo
Porque nós somos uma alma fundida
Desde o Big Bang.

Sele nossas vidas
Pois nós nos entendemos
Nos concertamos, nos confortamos
Você verá quando o Outono chegar
A minha vida vale a pena, com você
A sua vida vale a pena, comigo.

Obrigado por existir! e EXISTA pela eternidade no meu sentido.

(Por André Luis <3)


Você é minha luz no fim do túnel, o sorriso depois de um dia de lágrias. Você é como a esperança, depois de um baque gigante. E a força necessária para sobreviver nesse mundo de preconceito e infelicidade. Eu amo você, Dedé.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Risca de Giz

A monotonia do dia-a-dia não te deixa pensar,
Eles te calam, amordaçam.
É sua vez de jogar.

Rolam os dados,
O sangue em suas veias, corre mais rápido,
É sua vez de lutar.
Por favor, não fuja, vá à luta.

A venda em seus olhos te impede de enxergar;
O desespero, o caos;
O ódio em seu lugar.

Você grita, se debate,
Mas eles riem de você.
Você é forte, você vai quebrar.

Enfiando ferros fundidos em sua mente,
Eles te dizem o que fazer.
Agora você é o brinquedo do momento,
Agora você é o robô.

Máquinas com imagens te dizem
O certo e o errado.
A voz maçante do locutor,
Não te permite pensar.

(Mariana Montilha)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O quadro.

O homem pintado em tinta a óleo em um quadro pendurado na parede sorri para você, mostrando os dentes desenhados. Seu olhar falso, seu sorriso cínico. Como confiar? Aquelas palavras chegam, transformam-se em frases distantes, irreconhecíveis. Os sussurros estalados são os mais completos poemas de amor. Mas é tudo mentira - assim como o próprio homem, que é apenas de tinta seca, feito há anos atrás -, não passam de palavras jogadas ao vento, sem qualquer sentido real. Cada movimento é fatal, cada olhar pode destruir montanhas.
E nesses momentos de palavras vazias, o locutor se entristece mais e mais. Ele está sozinho novamente. O quadro continua sua narrativa infeliz... Aos berros.
O quadro está no chão, sua moldura de madeira quebrada em lascas. Os cacos de vidro espalhados pelo chão. Como se não bastasse... A imagem do homem de tinta está aos pedaços, rasgado para a eternidade. Mas ainda é possível reconhecer, em um pedaço rasgado da pintura, seu sorriso cínico. Ele venceu novamente.

(Mariana Montilha)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Quem sabe?

Todo esse coração que bate;
Toda essa hora que não passa;
Toda angústia guardada à sete chaves.

A razão de tudo isso, ninguém sabe.
Ela não fala com ninguém.
Ela não está, ela não responde,
Ela só respira.

A cada piscar de olhos,
É uma morte interior mais forte.
Ela se refugiou em sua mente,
Ela correu de seus caminhos.

Olhos fechados para o destino,
Tentando alcançar o passado,
Quem sabe ela não muda?
Quem sabe ela se recompõe?

Ela tem o olhar perdido em melancolia,
O vazio devastador que a preenche.
Seus pulsos estão cortados,
Seu sangue pinga no chão.

Onde está seu interior?
Onde está sua alma?
Ela não se lembra onde os largou.

(Mariana Montilha)